quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Bomba Atômica

Cada um traz
Dentro de si
Um desastre

Uma cicatriz
Uma falha

Lembro-me da
Primeira vez
Não era Nagasaki
Ou Hiroshima

Era apenas
E sobretudo

O dia que você me deixou....

Sem rima.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Pessoas

Algumas pessoas
São como frases incompletas

Ou cheias de não-sentido
Ou vazias por natureza

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Sem Você

E no meio dessa loucura toda
Entre poluições e numerologias
Entre mortos e feridos
Individualidades e dicotomias

Eu tiro um tempo

Para sorrir

Mas de nada me vale
O sorriso
(do ruído ao sabor)
Sem você para partilhar

Sem você, é só torpor

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Onde

A nostalgia é o mal
Da senilidade
A arrogância é o mal
Da juventude
E eu no meio disso tudo
Me pergunto
Onde foi que nós erramos?

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Contra-regra

A inspiração sempre vem pros de coração aberto.

Não, não adianta pensar.

Sinto,
Logo existo.

Heterônimo

Eu sou um pseudo poeta
De pseudo poesias

Que nada querem dizer
Do dia-a-dia

Querem apenas expressar
O quanto sentiria

Se não sentisse

Pseudo poesias

Pergunta

Alguns me questionam
Como eu me inspiro

Sou eu quem vos
Pergunto com uma
Pegunta atrevida

Como é que
não se inspiraram
Com a vida?

No Amor e na Guerra

O Amor não é um jogo
É como a Guerra

Ou se mata
E fica na memória

Ou se morre
E entra para história

Direito de Opinião

A verdade
A única plena verdade
Não é a minha
Nem a sua
Ou tampouco a de terceiros

A real e tenra verdade
É aquele que ninguém conhece
Pela qual ninguém luta
Pela qual ninguém morre

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Arte de Ser

A arte de ser nós mesmos
Vai muito além de psicologismos
De absurdos medicinais
Vai muito além de conselhos baratos
De julgamentos jurídicos
A arte de ser nós mesmos
Vai muito além de diagnósticos precisos
De prognósticos obscuros
Vai muito além de fórmulas engenherísticas
De charlatanismos filosóficos
A arte de ser nós mesmos
É pura e simplesmente
A capacidade de sermos
Honestos com quem menos
Devemos enganar
Nós mesmos.
A arte de ser.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Estrada do Amor

A caminhada que se segue é longa. É árdua.
As lamparinas jaziam altas. Brilhantes.
O pensamento nela.
Era inevitável nesse momento.
Ela sabia jogar. Naquele jogo ela era profissional. Eu apenas um amador.
A Lua fazia a contradição perfeita entre tristeza e esperança qus de certa forma nos conecta.
Sob sua luz, iluminam-se todos.
Mas eu perdi. Talvez tenha jogado as cartas erradas. Talvez tenha apostado tudo. O certo é o incerto nessa estrada. As possibilidades infindáveis de nós.
Nesse tipo de jogo, unem-se os jogadores, os sofredores e os amadores.
E só vencem os profissionais.
Há certas coisas na vida que é melhor perder.
Eterno amador.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Aqui Jaz

Só Deus sabe quanto
Tempo me resta
Nesse fim de terra

Só Deus sabe quanto
Vale minh'alma
Quando me enterra

Só Deus sabe se
Terei dito o que sentia
Aprendido o que devia
Amado o quanto podia

Só Deus sabe quem
Irá chorar por mim
Ou em quanto tempo
Nas memórias ficarei

Só Deus sabe
O quanto eu não sei.

domingo, 17 de maio de 2015

Antítese

Você é meu oposto
O contragosto
Que adoro provar

Você é meu avesso
O excesso
Que falta completar

Você é meu contraposto
O imposto
Que desejo pagar

Você é meu reverso
O controverso
Que admiro contrariar

Você é meu inverso
O universo
Que amo versar

Você é minh'alma
A falta
Que adora sobrar

sábado, 16 de maio de 2015

Laços

Menina mulher
Me atiça "cum" beijo
Me inflama o desejo
De ser quem se é

Mulher menina
Me respeita os anseios
Me alimenta "cum" seios
De quem só ela é

Menina mulher
ou
Mulher menina

Se confundem em laços
                                 E nesse embaraço
          Nesse entrelaço
                             O laçado
                                             Fui eu

sábado, 4 de abril de 2015

Pela Janela do Avião

Pela janela do avião
Tanta saudade
A infinitude do todo
Tanta liberdade
Pela janela do avião
Tanta liberdade
A insignificância do ser
Tanta realidade
Pela janela do avião
Tanta realidade
As engrenagens da maquinaria
Tanta velocidade
Pela janela do avião
Tanta velocidade
A pressa do mundo novo
Tanta ansiedade
Pela janela do avião
Tanta ansiedade
Do que ficou
Do que vai ser
A soma do completo
Tanta
Mas tanta
S a u d a d e

terça-feira, 24 de março de 2015

Vagalumes

As lamparinas jaziam ao alto, como vagalumes em uma noite de verão.
A temperatura era um agradável misto de conforto e companhia.
Ela tocava os longos cabelos. Uma técnica perfeita.
Movendo-os graciosamente por entre os dedos, um movimento quase automático.
O chegar da noite anunciava os pensamentos mais distantes. Passava até sonhar com os olhos fixos ao nada.
Como alguém nesse mundo gigante a encontraria?
Seria tão difícil quanto lamparinas transformarem-se em vaga-lumes?
Nos emaranhados de seus cabelos agora surgiam pigmentos de cor. Como se a fúria de mares nunca dante navegados atravessasse uma simples canoa, seus pensamentos boiavam em sentimentos confuso-furiosos.
As lamparinas viraram luminárias.
A temperatura controlada por ar-condicionado.
Os cabelos presos ao preparar café.
O tempo chama.
Não há tempo de sonhar.

Hora de trabalhar.

Atrasado

É demasiada tênue a linha que nos separa
Talvez nem houvesse em doravante hora

Permanecemos nessa paradoxal dicotomia
Difamatória contradição alheia
Que rompe em seu elo mais forte
Pela maçante e muda ironia

Do cotidiano ácido e corrosivo
Eres tu, meu caro, que sais ganhando

Finda-se tudo e resta ti, óh tempo
Que arrastas em segundos eternos

Que dissolves em horas instantâneas

Espaço-Tempo

Se talvez o tempo não fosse contra
E pudesse, eu, voltar atrás
Garanto que não errava
O que hoje erro mais

A cada acerto eu consertaria
O que hoje creio errado
Mas e se meu maior erro futuro
Fosse consertar o meu passado?

Os problemas diminuiriam
As lembranças, mais enxutas
Mas seria eu o mesmo
Que me faz essa pergunta?

Nesse paradoxo louco
Que me deparo nesse dia
Resta a pergunta que faço

Seria o tempo, poesia?

Outros 500

São quinhentos anos de abuso
São nativos mortos
São quinhentos anos de uso
São quinhentas tentativas
São anos perdidos
São tantas tratativas
E sério
Depois de tanto erro
Depois de isso tudo
Você
iNformado
iNteligente
iPhone
E tudo mais
Vai entrar na guerra
Do bipartidarismo?
Vai ser massa de manobra?
Vai lutar com a mão de obra?
Vai ser cego, surdo e mudo?
Antes de desejar a mudança
Pense na solução
Devolver às tribos indígenas?
Entregar ao português?
Será que depois de tudo
Serão mais quinhentos outra vez?

Decorativo

O que sinto
O que sentia
O que sentirei

Não é decoração
É de coração.

Sem

Na mesma proporção que te amo
Te odeio
Sem rodeio
Sem anseio
Sem receio
De dar certo

Princípio

E no fim
Tudo que eu queria
Era um começo

Uma chance
Ao incerto
Uma luz
Na cegueira surda
Na palavra muda
De uma contradição
E no fim
Eu só queria
Um motivo
Pra te fazer abrigo
Nessa solidão
A verdade
Incontestável
É que não há
Melhor rima
Para dor
Que não
O amor
E no fim
Eu só queria
A compreensão
A palavra certa
Pra calar esse
Silêncio
Ensurdecedor.

Profundidade

A profundidade de cada um
Se mede pelo
Silêncio de suas palavras
Pela tristeza de seu sorriso
Pela felicidade de seu pranto
Por tudo que diz calado
Enfim
Por toda contradição
Que reside no
Existir

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A Poesia Nossa de Cada Dia

Onde há espaço
Escrevo um poema

Deixo um verso em aberto
Como filme mudo
Preto e branco no cinema

Quem o vê
Quem o decifra

Não sabe bem ao certo
Se é sua ou do poeta
Ou até mesmo de autoria
De própria da poesia

Seria
Escrita em palavras
Ou sentimentos?

Seria
Pré-moldada
Ou de instante?

Só se sabe
Que entre tantos
"Pai Nossos" e
"Ave Marias",
Eis o mistério da poesia

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Desamor

O maior temor
É o desamor

Posso perder
Terras e heranças
Deixar de ter
Até mesmo esperança

Posso deixar de lado
Minhas lembranças
Ser um coitado
Sem a tal autoconfiança

Posso viver
Sem sequer uma mudança
Nem perceber
Que não tive minha vingança

Mas não teria como
Preferiria mil doenças
Do que o grande mal
Da sombria indiferença

O maior temor
Não é a dor
É o não doer
É o não sentir
É o desanimador
É o temor
Do desamor