terça-feira, 12 de junho de 2012

Completa


Seus olhos de mar
De ressaca, de mel
Infinito no céu
Formando um véu.

E seu sorriso acanhado
Aquele, cê sabe
Sozinho, de lado
Sorrindo ao contrário.

E seu toque tão leve
Pesado, machuca
Me agrada, me mata
E por um fio me salva.

E sua voz me grita
Aos ouvidos palavras
Tão duras, sussurra
 Fortes ternuras

E seu olhar penetrante
Tão equidistante
De tudo e de nada
Me aprofunda e me rasa.

E tão despido de sentimentos
Sentidos, eu fico a mercê
De todas aquelas que
Se julgam você.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Balada



E eu
Só ouço
"blá blá blá"


E eu
Só vejo
inVerdades


E eu
Só escuto
Vagas mentiras


[travestidas da
mais pura verdade.]


E eu
Só sinto
"blá blá blá"


Conversas
Rápidas
Mal
faladas
Mal
escutadas.


Eu vejo
Animação
Desanimada.


Jovens unidos
para nada.
Exércitos de
fantasmas.


Vejo alegria
passageira.


[não vejo nada
escuro, conversas, obscuro]


Tudo muito vago.


Sem sentimento
Sem emoção.


Sorrisos ao monte
Felicidades ao pouco.


Humanidade perdida
Na batida de uma
Música passada.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sinceridade


Hoje não quero filme romântico
Ir ao cinema, pipoca ou algodão
Não quero fazer carinho
Quero andar sozinho, olhando pro chão
Hoje não quero fazer poesia, palavras sem nexo
Nem fazer sexo, para evitar confusão
Hoje não quero nem pensar nela
Rosa amarela, para não magoar meu coração


Hoje só quero queimar as flores
Esquecer os amores, viver dizendo não
Quero transformar em cinzas
Esse amor ao contrário, grande desilusão
Quero lutar contra moinhos
Viver sozinho, sem precisar dar explicação


Hoje não quero  mais ter sonhos
Ser o mocinho, quero da história, ser vilão
Não quero lembrar de calendário
Data de aniversário, nem de menstruação
Hoje não quero fazer elogio
Nem arrepio, quanta chatiação
Não quero pensar no futuro
Viver inseguro quanto a sua pretensão


Hoje só quero queimar as flores
Esquecer os amores, viver dizendo não
Quero transformar em cinzas
Esse amor ao contrário, grande desilusão
Quero lutar contra moinhos
Viver sozinho, sem precisar dar explicação


Hoje não quero dormir ao seu lado
Assumir que estou errado, nem dar atenção
Hoje não quero me encher de alegria
Nem ter euforia ou qualquer motivação
Hoje não quero me embriagar
Para não te ligar e discutir relação
Hoje só quero viver por viver
Que é para esquecer essa eterna paixão

Ao Escrever


Ao escrever a solidão
O poeta cria companhia
Como quem a alegria
Se faz da tristeza
Porque é na pior dor
Que o poeta, grande poeta
Torna-se fingidor

Seria quase como não ser

Escurecer ao amanhecer

Entristecer ao sorrir

Morrer sem deixar de existir

Talvez seja...
Pular no raso
Caminhar no profundo

Talvez não seja...
Enxergar no escuro
Escurecer na visão

Ao escrever a solidão
O poeta se recria
Como quem na tristeza
Se faz da alegria
Como quem afinal
Continua além
Do ponto final.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Para



Parabólica
Paralama
Paradoxo
Pará.


Paraplégico
Paraíso
Parasita
Paraná.


Para-raio
Paranóico
Para-brisa
Paraquedas.


Para-choque
Paraguai
Paraninfo
Paralelas.


Parapente
Parafuso
Paracetamol
Paradisíaco.


Parágrafo
Parati
Parabéns
Paramédico.


Paratudo
Parasempre
Paramar.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Villêncio


O silêncio
É ensurdecedor.

A distância
Mesmo ao lado
Se criou.

Duas mentes
Não convergentes,
Incongruentes
Na mesma direção.

O silêncio
É ensurdecedor.
Seu silêncio.

Foi o que não foi dito
Foi o que não foi feito.
Não se pode culpar
Apenas lamenta-se.

E no que era imperfeito
A perfeição se fazia.
Hoje já não há magia
Cotidiano, dia-a-dia.
Mas de tudo isso
O que me matou

Foi seu silêncio
Ensurdecedor.

Preceitos Misturados


Eu sô mineiro de São José
Paulista de Belo Horizonte
Sou Joseense de Ferros
Na beleza que vejo defronte.

E em tudo e aos montes
Sou misturado de cores
Tenho no sangue diversas fontes
Diversos contos, diversas dores.

Sou feito de Europa.
Das ciências, da matemática.
Do suor, da gana
Sou feito de África.

Sou feito de América
Oceania e Ásia.

Mas queria mesmo
Ser feito de terra.
Sem fronteiras.
Sem distâncias.
Sem guerra.

Queria mesmo
Ser feito
Planeta Terra.

Livros


É triste pensar
Que penso
Pensamentos errados.
Errado eu diria
Que são os livros
Alienados e alienantes.
Viver e não ter
A vergonha
De ser ignorante.
Pois nesse mundo
A ignorância é
Além de tudo,
Uma forma de inteligência.


Anormal Demais


Louca loucura
Doida ansiedade
Multidões ao monte
Solidária solidão.

Humanos animais
Voracidade vulgar
Capitalismo social
Estagnado ideal.

Amor material
Riquezas
Tristezas
Político nacional.

Verás que o filho teu
Já mais não luta
E teme, quem te adora
A própria morte.

Identidade virtual
Me responda,
Há algo nesse mundo
Mais bizarramente anormal
Do que alguém considerado
normal?

A beleza reside no diferente.
No inesperado.
No consumismo ao contrário.
De tudo aquilo
Que ainda não é
Mas sempre pareceu existir.

Nega Velha


-Nega velha vem para ceia.
Foi sinhá quem mandou.
Libera as correntes da cadeia.”
O carrasco resmungou.

-Nega velha vem para ceia.
Foi sinhá quem ordenou.
Ela quer a mesa cheia.
Vinho, feijão e leitoa, anotou?”

-Nega velha vem para ceia.
Foi sinhá quem avisou.
Bota o fogo na lareira.
Pra esquentar o que esfriou.”

-Nega velha vem para ceia.
Foi sinhá quem declarou.
Ela vem as cinco e meia.
Dizem que nunca se atrasou.”

-Nega velha vem para ceia.
Foi sinhá quem a chamou.
Sem apóstolos, com pés na areia.
No pescoço, traz nosso senhor.”

De Mateus à Bruna


Um olhar,
Tanta vontade.

Uma vontade,
Tanta saudade.

Uma saudade,
Tantos amores.

Em um amor,
Tantos olhares.

Em um beijo, 
Tanta vontade.
Em um abraço,
Tanto carinho.

Em uma distância,
Apenas quilômetros.
Em um amor,
Apenas eternidade.

Alguns poemas não se escreve.
Suas letras e palavras
São criadas dia a dia.
Na bobagem, na verdade.
No tocar da pele, na saudade.

Contigo escrevo poemas diariamente.

Mas poucos merecem ser pronunciados.
Por serem quase tão belos.
Quanto o poema do dia-a-dia.
Escrito pelo nosso amor.

(Ví)Cio do Poeta


O vício do poeta
É a palavra.

Palavra muda.
Palavra surda.
Palavra dada.

Palavra que diz.
Palavra que fiz.
Palavra feliz.

Palavra doente.
Palavra carente.
Palavra aguardente.

Palavra no início.
Palavra difícil.
Palavra do vício.

Palavra estrangeira.
Palavra famosa.
Palavra do Samba.
Palavra da Bossa.

Mas a principal palavra.

É aquela que não fala.
Aquela que não mente.
Aquela que se sente.
Aquela que vem...

De dentro da gente.

Completo


E só de amá-la o mundo já estava completo.
Detalhado e traçado.


Nas mais lindas paralelas.
Levando a lugar nenhum e ao todo.


Embriagar-se era de beijos.
Vestir-se era de abraços.
Alimentar-se de sentimentos.


E não existia amar-se.
Apenas amar. 

Não é Preciso


Não é preciso do ópio para me drogar
Nem de sangue para sobreviver.
Não preciso da verdade para me enganar
Nem mentiras para me surpreender.


Não preciso de vitórias para vencer
Nem tristeza para me alegrar.
Não preciso de razão para enlouquecer
Nem solidão para me acompanhar.


Não preciso de navios para navegar
Nem estrelas para me guiar.
Não preciso de avisos para seguir
Nem motivos para sorrir.


O que preciso é do mar
Do infinito para olhar
E enxergar no alvorecer
Que tudo que preciso é você. 

Quem?


Quem é o poeta
Que poetiza
Cantigas?

Que poetisa
Poetiza o poeta
Em poesias de amor?

Que tristeza
Alegra a alma
Do sonhador?

Seriam leves devaneios?

Ou

Apenas sonhos mal sonhados?

Amador


Eu sou um amador
Um novato
Sem teto
Sem rumo

Eu sou um amador
Um inocente
Apaixonado
Surdo e mudo

Eu sou um amador
Um observador
Enquanto analiso
A poesia, tão bem escrita
Que surge de teu olhar

Sou tão amador
Que não consigo
Descrever tudo que sinto
Quando surge o teu olhar

Sou tão amador
Que amo a dor
Da espera, da saudade
Quando vejo o teu olhar


Frases 2


Enquanto houver tristeza, eu vou sorrir.
Pois é assim que se vive.
É assim que se mente.

Chato


Como seria se fosse simples?

Se não existisse tristeza?
Se não houvesse dor?
Se não sentisse saudade?

Como seria se fosse simples?

Se fosse simplesmente fácil esquecer.
Se fosse tão rápido amar
Se não houvesse tempo

Como seria se fosse simples?

Simplesmente chato.

Entre o Céu e o Mar


E se entre todas as bocas, eu quisesse a sua?
E se entre todos olhares, eu visse o seu?

E se algo perfeitamente correto, estivesse errado?
E algo totalmente errado, correto?

E se entre todas as mãos, eu te desse a minha?
E se entre todos carinhos, eu quisesse o teu?

E se tudo que vivemos foi um sonho?
Ou tudo que sonhamos foi verdade?

E se tudo entre o céu e o mar, eu quisesse você?

Noite Adentro


Ela me fitou com um certo sarcasmo.
Eu sem entender direito, retribui sorrindo.

Mas na verdade vulgar de teus olhos,
percebi que era melhor ter olhado de lado.
 
Fingido de morto.

Mas como matar por fora algo que sangra vivo por dentro?
Escrevendo poesias sem nexo.
Noite adentro.

Sim


Apenas diga que sim.
Para viver intensamente,
tudo aquilo que sonhamos.

Ser diferente.
Ser o oposto.
Só para ver....

Aquele sorriso lindo no teu rosto.

Boa Noite


Só desejo, onde estiver
Cá perto, lá longe
Um boa noite.

Que sonhe realidade
e realize sonhos.

Que ame sem precisar
e que precise amar.

Que viva presa
à sua liberdade.

Enfim, uma boa noite.

B.



Te vi ali parada,
pensando.
E imaginando o teu
pensamento.
Tive um breve
momento,
De amor verdadeiro.

E nos teus olhos coloridos,
de cigana, de ressaca
de alegria, sofridos
eu vi a mais tenra
felicidade.... já tão mais perto, já tão mais próxima.

Amigo


Infelizmente tua tristeza o dominou.
Mas para você é felicidade.

Ser feliz não é ser menos ou humilhado.
É ser você, goste ela ou não.
É ter sua opinião, sem que ela afete a decisão.

Eu só espero que no seu reflexo enevoado,
você sinta alguma piedade.

Pois é só perdoando a alma,
que se vê como se maltrata o corpo.

Frases


Ela me sorriu como se quisesse flores.
Eu acenei como se bebesse uísque.

Ele e Ela


Ele bate a porta, sem entender o que acabou de acontecer ali. Ela corre para cama, se cobrindo entre lágrimas e temendo ter entendido exatamente o que se passou ali. Já no carro, ele dispara mensagens aleatórias através do celular. Algumas ele até escreve, mas não envia. Já em seus pensamentos, ela luta para não pegar o celular e ligar para ele. Mesmo que seja só para ouvir um vago "Alô". Ele passa sem entender o porque da toda essa baboseira complexa e que não leva a nada. Tomando sua primeira dose. Ela já luta contra lembranças embaralhadas que vem a esmo, crendo achar que encontrou a resposta para tudo aquilo. Dizendo e pensando coisas sem sentido, ele mistura memória e whisky sem gelo. Algo arriscado. Agora ela tem certeza de o que porque de tudo aquilo. Ele termina entre mulheres vazias e garrafas cheias, tentando apagar cicatrizes que ele não assume ter. Ela termina procurando em outros braços os abraços que só com ele teve.

Pensamentos


"Se achas que o vento traz más noticias, aguardas a tempestade. Pois só assim conseguirás sorrir na bonança."      


"Grandes amores que não resistem  ao tempo e a distância,  não passam de boas mentiras  travestidas de amor verdadeiro."      


"Pensa, pensamento.
Ser pensante.
Gasta, pagamento.
Ser pedante.
Faça, momento.
Ser vivente.
Ama, por amar.
Ser eterno"


Ela


Às vezes minha vida se enche em poesia
Cantarolada pela amada em sinfonia. 
Como mil cântigos reunidos em um só 
Transformando em unido o que era só.  

E só, sobretudo nada foi. 
Perto do inteiro em que se tornou. 

E o inteiro não passa de uma unidade 
Tão linda
Tão perfeita 
E tão singela. 

Que só poderia logicamente
Representar-se nela. 

Cavaleiro


Ó amada,  ó belíssima.
Quantas solitárias noites passei a te passar  em memória?


Tantas longas estradas caminhei a esperar  tua imagem. 
E mesmo assim, fulguras estar longe de mim. 


Tão belamente próxima e tão tristemente distante . 
Teu coração já não é meu. 
Tua boca não me beija. 


Mas me diga minha amada. 


Em quem és que pensa quando está deitada?  
Quando a vida insistes em ruir? 
Quando a esperança não resolve aparecer?  


Seria em minha breve imaginação: 
Um cavaleiro reluzente, de armadura e espada empunhada. 


Lutando por ti, tanto, que por ti, morreria. 
Me responda, sem trepidar, minha amada
"Se alguma chance de ser teu cavaleiro, eu teria?"

Doce Contradição


Se for para ter
Que tenha. 


Se for para ser
Que seja. 


Se nada for além de tudo 
E tudo, contudo, nada for. 


Deixe que seja assim
Terminando no começo
Começando no fim.


Consolando o consolidado 
Desamando o enamorado 
E contrariando o que foi jurado.

Escrevendo



A única coisa que alivia o coração de um poeta desiludido, é escrever. Pois é em cada palavra (as vezes pensada e as vezes nada), que ele encontra o beijo da amada. Talvez ele ache que ela vai ler isso um dia. Talvez só de ter escrito já lhe dê esperanças. Talvez ela leia e sinta-se comovida. Talvez ela passe a vida toda sem ler. Mas o poeta não se abate, e em outra noite triste, volta a escrever.... E mesmo perante toda distancia, ele sabe que cada letra aqui em escrita, mesmo que não lida, irá para o coração. Pois é como se sussurrasse aos pés do ouvido de seu grande amor.

Complicando


Eu sou exclusivamente egoísta, um pouco pessimista em relação a mim e demasiadamente otimista em relação à expectativa alheia. Sou um tanto quanto tímido e na medida certa reprimido. Talvez complexamente simples, acho que isso me torna um ser pensante, mas, como todo bom ser que se gaba de ter inteligência, sou movido por sentimentos diversos que suprem minhas qualidades, defeitos e anseios. Devidamente normal eu diria? E existe isso? Normalidade? Anormalidade? Animalidade? Quantas mais palavras "dades" servem para explicar a humanidade? Acho que tantas quanto existirem. Mas você deve estar se perguntando por que é que lhe escrevo isto. Deve estar em uma cadeira, na frente de uma máquina devidamente abastecida de energia elétrica, vendo por através de uma tela palavras desconexas no sentido irracional e cibernético que se tornou nossa língua portuguesa. Sei, não sou um poeta romântico que descreve com tanta perfeição e ímpeto a moça amada. Mas tento aqui começar a explicar a mim mesmo para explicar o inexplicável que se tornou tão claro diante do meu olhar mortal. Tornou-se minha fonte de abastecimento, me tornei dependente. Dependo desse seu ego, dessa sua pessoa, dessa sua alma, deste seu beijo. Dependo de você para me completar da mais almejada palavra de sentido mais amplo: Felicidade. Longe de você acabo por ser algo vivo mas privado da alegria derradeira que só encontra meu coração quando repousa junto ao seu, no leito da cumplicidade de duas almas em uma aterrorizante, fria e obscura cidade.

Morena dos Olhos D'água



Venha cá, senta aí
Vem pra perto de mim
Minha morena, você tem de desculpar
Aquele quem só te fez chorar

Eu andei meio distante
Entre um copo e uma amante
A saudade me calou
Mas morena na verdade
A saudade me curou

Morena dos olhos d'água
Olhos que vem do mar
Pares de chorar
Porque se não morena
Eles hão de desaguar

Sei que já te fiz chorar
Sei que já fui de bar em bar
Mas era só pra te encontrar
De tão bêbado, cai
Foi ai que percebi           
Que o chão só é tão bom
Quando estas junto de mim

Morena dos olhos d'água
Olhos que vem do mar
Pares de chorar
Porque se não morena
Eles hão de desaguar

Te entrego a chave do meu ser
Abro até a porta dos fundos
Para você badernar
Me beber e se embriagar
Deita em mim 'preu te ninar

Morena dos olhos d'água
Olhos que vem do mar
Pares de chorar
Porque se não morena
Eles hão de desaguar

Venha cá, senta aí
Vem pra perto de mim...

Me Nina



A noite que chega, óh menina
Escurece o céu clareado
Clareando o que há de errado
No meu ser desalmado

Te arruma pra festa, óh menina
Te pinta, te banha, me escuta
Me acompanha, me nina
Na festa, te cala, me beija a boca

Te vejo dançando, óh menina
Bebendo, cantando, soluça
Me perco girando, me nina
Nas voltas do rabo de saia

O vento lá fora assusta
Eu corro perdido na chuva
Gritando pra ti, me nina
Gritando pra ti, me escuta

A festa acabou, óh menina
Mas o poeta continua na luta
Compondo besteiras astutas

O samba é pra ti, óh menina
Sambando errado na curva
Nas curvas do corpo, me nina
Te vejo nas nuvens sumida

Sumindo de vista, menina
Tristeza entristece serena

Eu clamo por ti, óh menina
Menina me nina na chuva

Teresinha


Uma suave música tocava ao fundo. Algo como "À Flor de Pele" cantava por Chico e Milton em um tom leve e pesadamente crítico, como só Chico consegue fazer. Nesse clima nostálgico jazia um o corpo de um homem. Sobre a cama bagunçada, sem sinal de violência ou qualquer briga que poderia ter resultado na morte. O defunto tinha uma aparência bruta: barba mal feita, hálito forte de bebida, cabelos negros e olhos vermelhos. Ao seu lado no criado mudo, um copo de aguardente difícil de se tragar. A mulher apressada joga o conteúdo do copo na pia, passa uma água ligeira e incumbe de livrar-se do defunto. Arrasta o corpo por toda a sala e chega ao quintal. Onde um buraco frio já aguardava um corpo também gelado. Nesse momento ela lembra-se de seu primeiro marido. Que jazia na mesma terra onde agora enterrava seu segundo marido. Então o Dvd do Chico Buarque muda de música, tocava agora "Com Açúcar, Com Afeto" onde Chico, acompanhado de Nara Leão, cantava sereno. Mas isso não a tirou da lembrança morna de seu primeiro marido. Das viagens e das qualidades que ele tinha, do bicho de pelúcia e do broche de ametista, adorava ser chamada de rainha. Como fora difícil ter que matá-lo, um golpe certeiro com a faca da cozinha. Ficara um tempo triste mas fizera aquilo por um novo amor que brotava em seu jovem coração e nisso o Dvd trocou a música para "Feijoada Completa". Não pensou duas vezes em sentir um extremo ódio pelo seu segundo marido, que agora já tinha terra por todo o rosto. Ele costumava embriagar-se, duvidar dela, cheirava sua comida e à chamava de perdida. O remorso que tinha por ter se livrado do primeiro não existia quando colocou o veneno na bebida do segundo, que embriagou-se pela última vez. Terminado o trabalho de enterrá-lo, foi tomar um banho pois estava ansiosa e cheirava mal. Mas no chuveiro não pensava nem no primeiro, muito menos no segundo e sim no terceiro, o qual, ela não sabia nada. Ao sair do banheiro lá estava ele, em sua cama, chegará do nada e agora a chamava de mulher. Nesse momento, meio que por ironia, meio que por acaso começou a tocar ao fundo "Teresinha".

Sig Ne Ficado


Queria ter aquele céu, cor azul
Para pintar um retrato dos teus olhos
Que no reflexo das estrelas traduza a beleza
Do sentimento contrário ao da tristeza
Aquele misto de alegria e ardor
O paradoxo do universo errado
Uma palavra singela, ao teu lado
Algo como há
Algo como meu
Como teu, como nosso
Algo conhecidamente estranho
Ao teu olho humano
Algo de extraordinário
Está certamente errado
Aquele amor apaixonado
Que de tanto amar a mesma pessoa
Finge que não existe nenhuma outra
Pelo simples fato complexo
De que não precisa haver nexo
Pois, como vermelho céu azul, não tem cor
Não tem significado a palavra amor.