terça-feira, 3 de abril de 2012

Complicando


Eu sou exclusivamente egoísta, um pouco pessimista em relação a mim e demasiadamente otimista em relação à expectativa alheia. Sou um tanto quanto tímido e na medida certa reprimido. Talvez complexamente simples, acho que isso me torna um ser pensante, mas, como todo bom ser que se gaba de ter inteligência, sou movido por sentimentos diversos que suprem minhas qualidades, defeitos e anseios. Devidamente normal eu diria? E existe isso? Normalidade? Anormalidade? Animalidade? Quantas mais palavras "dades" servem para explicar a humanidade? Acho que tantas quanto existirem. Mas você deve estar se perguntando por que é que lhe escrevo isto. Deve estar em uma cadeira, na frente de uma máquina devidamente abastecida de energia elétrica, vendo por através de uma tela palavras desconexas no sentido irracional e cibernético que se tornou nossa língua portuguesa. Sei, não sou um poeta romântico que descreve com tanta perfeição e ímpeto a moça amada. Mas tento aqui começar a explicar a mim mesmo para explicar o inexplicável que se tornou tão claro diante do meu olhar mortal. Tornou-se minha fonte de abastecimento, me tornei dependente. Dependo desse seu ego, dessa sua pessoa, dessa sua alma, deste seu beijo. Dependo de você para me completar da mais almejada palavra de sentido mais amplo: Felicidade. Longe de você acabo por ser algo vivo mas privado da alegria derradeira que só encontra meu coração quando repousa junto ao seu, no leito da cumplicidade de duas almas em uma aterrorizante, fria e obscura cidade.

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