terça-feira, 26 de novembro de 2013

Hiperativo Imperativo

Passe no cartão
O orgasmo ilusório

Parcele no crédito
As frustrações cotidianas

Acesse agora nossa loja virtual
Domesticante consumismo compulsório

E não se esqueça nunca,
Nosso cliente interativo,
De obedecer sempre
Propagandas no imperativo

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Crise Existencial

Na figura semi aberta
De ser quem se foi um dia
Resta a dúvida incontesta
De ser quem se seria
Se não fosse
Quem se foi um dia.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Tio Joel

Óh pobre alma
Que a chaga consumiu
Não se desespere
Nem se apresse
Que o céu é das crianças
Dos bons e dos loucos

Inocentes em si
Nem tanto aos outros
Saiba que a loucura
É sua salvação

Conte aos anjos
Sua inquietação
Que eles hão de curar
O que a medicina
Não conseguiu

Óh pobre alma
Que a chaga consumiu.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Cor do Lucro

Ora,
O tráfico negreiro
Gerou lucros.

Na labuta da cor negra
Na cor azul, tão velejada
Na cor vermelha das chibatas
Prevaleceu a cor dourada



       Ilustração de Pawel Kuczynski

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Estação de Metrô

Vi uma foto tua no metrô


De repente
Sumiste


Tu ficaste tão triste
- pensara eu

Pois sorrias, tão bela
Me olhavas com afeto
De um modo ambíguo
Incerto, discreto
Separado e contíguo



A vida me volta
Afazeres, problemas
Amarga reviravolta


Mas não me entristeço
Pois sempre tu voltas
Na próxima estação

Seja primavera ou verão

Sempre tu voltas
Pro outono acabar
Pro inverno passar.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Idéias

Traga-me idéias!
Não me venha com fórmulas
Números ou teorias.

Não me assuste com sua conclusão
Seus nomes gregos ou filosofias.

Traga-me idéias.
Debatê-las é a essência.

Não me mostre citações
Nem se limite a dicotomias.

Não me dê explicações
Nem se baseie em ideologias.

Traga-me idéias
Debatê-las é a essência
Pois no fundo e de verdade
Se é república ou regência
Pouco importa
Traga-me idéias
Pra deixar aberta, sempre, a porta.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pincel em Aquarela

Um poeta escreve para alguém.
Se escreve está errado
Poeta deve escrever para ninguém.

Mas me pergunto quem
Deve dizer o que o poeta deve fazer?
Ninguém.

Mas se ninguém lê
E ninguém diz
Quem o poeta pensa que é?

O poeta é a tênue linha
Entre ninguém e todo mundo
O silêncio e o barulho
Entre tudo e entre nada
Entre o choro e a amada.

O poeta é o sopro de uma voz muda
Que toca o alheio em uníssono
Como num pincel em aquarela
Começa alvinegro e então permuta.

sábado, 6 de julho de 2013

Cimesmo

Eu não quero nem saber
Eu não quero nem pensar
Essas suas teorias caquéticas
Do fim do mundo ou do profeta.

Não me diga sobre as pessoas
O que você conhece delas?
Não cite Freud ou Rousseau
Quem são eles por acaso?

Não leia mais livros.
Escreva livros.
Sua própria lei
Sua própria teoria.

Quer algo mais humano
Imperfeitamente correto
Do que acreditar em si mesmo?

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Revolução Francesa

Vossa excelência
Permite-me, opinião?

Enquanto tratar-te
Com prudência
Serei sempre teu peão.

Estupefato me olharas
Perante a enigmática
Afirmação.

Que teu poder de nada
Vale, com tua cabeça
Em minhas mãos.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

José

E agora, José? 
O governo baixou, 
a luz apagou, 
o povo sumiu, 
a noite esfriou, 
e agora, José? 
e agora, você? 
você que tem fome, 
e problemas tem outros, 
você que fez certo, 
que ama, protesta? 
e agora?

Mateus Reggiani parafraseando e de certa forma, humildemente, atualizando Carlos Drummond de Andrade.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Idade Mídia

Idade das trevas
No século perdido
Manifestações contidas
Com lucro garantido.

Democracia oligárquica 
Liberdade absolutista
Sutis ironias
De um sistema capitalista

Propagandas nazistas
Com juízos de valor
Um feto anencéfalo
Pensa mais que o telespectador

Engolimos a seco e a vácuo
Cada pedra no caminho
Lutando contra dragões
Ou seriam apenas moinho?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

(Ins) Piração

Inspiração
Expira sã
Inspira ação
Expira mar
Inspira amar
Expira ar
Inspira ardor
Expira dor
Inspira amor

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Tempos Modernos


Homens estereotipados
Compram
Mulheres plastificadas
Em liquidação

Cartões plastificados
Compram
Carros estereotipados
De última geração

Papéis descartáveis
Contratam
Escravos modernos
A preço de custo.

Sistemas modernos
Contratam
Metais descartáveis
Sem nenhum susto.

Engravatados brilhantes
Trocam
Mentes vazias
Por Pontos

Escolas vazias
Trocam
Futuros brilhantes
Com desconto

Com vidas moldadas
Nos conformes da mediocridade