segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Pincel em Aquarela

Um poeta escreve para alguém.
Se escreve está errado
Poeta deve escrever para ninguém.

Mas me pergunto quem
Deve dizer o que o poeta deve fazer?
Ninguém.

Mas se ninguém lê
E ninguém diz
Quem o poeta pensa que é?

O poeta é a tênue linha
Entre ninguém e todo mundo
O silêncio e o barulho
Entre tudo e entre nada
Entre o choro e a amada.

O poeta é o sopro de uma voz muda
Que toca o alheio em uníssono
Como num pincel em aquarela
Começa alvinegro e então permuta.

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