segunda-feira, 9 de abril de 2012
Para
Parabólica
Paralama
Paradoxo
Pará.
Paraplégico
Paraíso
Parasita
Paraná.
Para-raio
Paranóico
Para-brisa
Paraquedas.
Para-choque
Paraguai
Paraninfo
Paralelas.
Parapente
Parafuso
Paracetamol
Paradisíaco.
Parágrafo
Parati
Parabéns
Paramédico.
Paratudo
Parasempre
Paramar.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Villêncio
O
silêncio
É ensurdecedor.
A distância
Mesmo ao lado
Se criou.
Duas mentes
Não convergentes,
Incongruentes
Na mesma direção.
O silêncio
É ensurdecedor.
Seu silêncio.
Foi o que não foi dito
Foi o que não foi feito.
Não se pode culpar
Apenas lamenta-se.
E no que era imperfeito
A perfeição se fazia.
Hoje já não há magia
Cotidiano, dia-a-dia.
Mas de tudo isso
O que me matou
Foi seu silêncio
Ensurdecedor.
É ensurdecedor.
A distância
Mesmo ao lado
Se criou.
Duas mentes
Não convergentes,
Incongruentes
Na mesma direção.
O silêncio
É ensurdecedor.
Seu silêncio.
Foi o que não foi dito
Foi o que não foi feito.
Não se pode culpar
Apenas lamenta-se.
E no que era imperfeito
A perfeição se fazia.
Hoje já não há magia
Cotidiano, dia-a-dia.
Mas de tudo isso
O que me matou
Foi seu silêncio
Ensurdecedor.
Preceitos Misturados
Eu
sô mineiro de São José
Paulista
de Belo Horizonte
Sou
Joseense de Ferros
Na
beleza que vejo defronte.
E
em tudo e aos montes
Sou
misturado de cores
Tenho
no sangue diversas fontes
Diversos
contos, diversas dores.
Sou
feito de Europa.
Das
ciências, da matemática.
Do
suor, da gana
Sou
feito de África.
Sou
feito de América
Oceania
e Ásia.
Mas
queria mesmo
Ser
feito de terra.
Sem
fronteiras.
Sem
distâncias.
Sem
guerra.
Queria
mesmo
Ser feito
Planeta
Terra.
Livros
É
triste pensar
Que
pensoPensamentos errados.
Errado eu diria
Que são os livros
Alienados e alienantes.
Viver e não ter
A vergonha
De ser ignorante.
Pois nesse mundo
A ignorância é
Além de tudo,
Uma forma de inteligência.
Anormal Demais
Louca
loucura
Doida
ansiedade
Multidões ao monte
Solidária solidão.
Humanos animais
Voracidade vulgar
Capitalismo social
Estagnado ideal.
Amor material
Riquezas
Tristezas
Político nacional.
Verás que o filho teu
Já mais não luta
E teme, quem te adora
A própria morte.
Identidade virtual
Me responda,
Há algo nesse mundo
Mais bizarramente anormal
Do que alguém considerado
normal?
A beleza reside no diferente.
No inesperado.
No consumismo ao contrário.
De tudo aquilo
Que ainda não é
Mas sempre pareceu existir.
Multidões ao monte
Solidária solidão.
Humanos animais
Voracidade vulgar
Capitalismo social
Estagnado ideal.
Amor material
Riquezas
Tristezas
Político nacional.
Verás que o filho teu
Já mais não luta
E teme, quem te adora
A própria morte.
Identidade virtual
Me responda,
Há algo nesse mundo
Mais bizarramente anormal
Do que alguém considerado
normal?
A beleza reside no diferente.
No inesperado.
No consumismo ao contrário.
De tudo aquilo
Que ainda não é
Mas sempre pareceu existir.
Nega Velha
-Nega
velha vem para ceia.
Foi
sinhá quem mandou.
Libera
as correntes da cadeia.”
O
carrasco resmungou.
-Nega
velha vem para ceia.
Foi
sinhá quem ordenou.
Ela
quer a mesa cheia.
Vinho,
feijão e leitoa, anotou?”
-Nega
velha vem para ceia.
Foi
sinhá quem avisou.
Bota
o fogo na lareira.
Pra
esquentar o que esfriou.”
-Nega
velha vem para ceia.
Foi
sinhá quem declarou.
Ela
vem as cinco e meia.
Dizem
que nunca se atrasou.”
-Nega
velha vem para ceia.
Foi
sinhá quem a chamou.
Sem
apóstolos, com pés na areia.
No
pescoço, traz nosso senhor.”
De Mateus à Bruna
Um
olhar,
Tanta
vontade.
Uma
vontade,
Tanta
saudade.
Uma
saudade,
Tantos
amores.
Em
um amor,
Tantos
olhares.
Em
um beijo,
Tanta
vontade.
Em
um abraço,
Tanto
carinho.
Em
uma distância,
Apenas
quilômetros.
Em
um amor,
Apenas
eternidade.
Alguns
poemas não se escreve.
Suas
letras e palavras
São
criadas dia a dia.
Na
bobagem, na verdade.
No
tocar da pele, na saudade.
Contigo
escrevo poemas diariamente.
Mas
poucos merecem ser pronunciados.
Por
serem quase tão belos.
Quanto
o poema do dia-a-dia.
Escrito
pelo nosso amor.
(Ví)Cio do Poeta
O
vício do poeta
É
a palavra.
Palavra
muda.
Palavra
surda.
Palavra
dada.
Palavra
que diz.
Palavra
que fiz.
Palavra
feliz.
Palavra
doente.
Palavra
carente.
Palavra
aguardente.
Palavra
no início.
Palavra
difícil.
Palavra
do vício.
Palavra
estrangeira.
Palavra
famosa.
Palavra
do Samba.
Palavra
da Bossa.
Mas
a principal palavra.
É
aquela que não fala.
Aquela
que não mente.
Aquela
que se sente.
Aquela
que vem...
De
dentro da gente.
Completo
E
só de amá-la o mundo já estava completo.
Detalhado e traçado.
Nas mais lindas paralelas.
Levando a lugar nenhum e ao todo.
Embriagar-se era de beijos.
Vestir-se era de abraços.
Alimentar-se de sentimentos.
E não existia amar-se.
Apenas amar.
Detalhado e traçado.
Nas mais lindas paralelas.
Levando a lugar nenhum e ao todo.
Embriagar-se era de beijos.
Vestir-se era de abraços.
Alimentar-se de sentimentos.
E não existia amar-se.
Apenas amar.
Não é Preciso
Não
é preciso do ópio para me drogar
Nem de sangue para sobreviver.
Não preciso da verdade para me enganar
Nem mentiras para me surpreender.
Não preciso de vitórias para vencer
Nem tristeza para me alegrar.
Não preciso de razão para enlouquecer
Nem solidão para me acompanhar.
Não preciso de navios para navegar
Nem estrelas para me guiar.
Não preciso de avisos para seguir
Nem motivos para sorrir.
O que preciso é do mar
Do infinito para olhar
E enxergar no alvorecer
Que tudo que preciso é você.
Nem de sangue para sobreviver.
Não preciso da verdade para me enganar
Nem mentiras para me surpreender.
Não preciso de vitórias para vencer
Nem tristeza para me alegrar.
Não preciso de razão para enlouquecer
Nem solidão para me acompanhar.
Não preciso de navios para navegar
Nem estrelas para me guiar.
Não preciso de avisos para seguir
Nem motivos para sorrir.
O que preciso é do mar
Do infinito para olhar
E enxergar no alvorecer
Que tudo que preciso é você.
Quem?
Quem
é o poeta
Que
poetiza
Cantigas?
Que
poetisa
Poetiza
o poeta
Em
poesias de amor?
Que
tristeza
Alegra
a alma
Do
sonhador?
Seriam
leves devaneios?
Ou
Apenas
sonhos mal sonhados?
Amador
Eu
sou um amador
Um
novato
Sem
teto
Sem
rumo
Eu
sou um amador
Um
inocente
Apaixonado
Surdo
e mudo
Eu
sou um amador
Um
observador
Enquanto
analiso
A
poesia, tão bem escrita
Que
surge de teu olhar
Sou
tão amador
Que
não consigo
Descrever
tudo que sinto
Quando
surge o teu olhar
Sou
tão amador
Que
amo a dor
Da
espera, da saudade
Quando
vejo o teu olhar
Chato
Como
seria se fosse simples?
Se não existisse tristeza?
Se não houvesse dor?
Se não sentisse saudade?
Como seria se fosse simples?
Se fosse simplesmente fácil esquecer.
Se fosse tão rápido amar
Se não houvesse tempo
Como seria se fosse simples?
Simplesmente chato.
Se não existisse tristeza?
Se não houvesse dor?
Se não sentisse saudade?
Como seria se fosse simples?
Se fosse simplesmente fácil esquecer.
Se fosse tão rápido amar
Se não houvesse tempo
Como seria se fosse simples?
Simplesmente chato.
Entre o Céu e o Mar
E
se entre todas as bocas, eu quisesse a sua?
E se entre todos olhares, eu visse o seu?
E se algo perfeitamente correto, estivesse errado?
E algo totalmente errado, correto?
E se entre todas as mãos, eu te desse a minha?
E se entre todos carinhos, eu quisesse o teu?
E se tudo que vivemos foi um sonho?
Ou tudo que sonhamos foi verdade?
E se tudo entre o céu e o mar, eu quisesse você?
E se entre todos olhares, eu visse o seu?
E se algo perfeitamente correto, estivesse errado?
E algo totalmente errado, correto?
E se entre todas as mãos, eu te desse a minha?
E se entre todos carinhos, eu quisesse o teu?
E se tudo que vivemos foi um sonho?
Ou tudo que sonhamos foi verdade?
E se tudo entre o céu e o mar, eu quisesse você?
Noite Adentro
Ela
me fitou com um certo sarcasmo.
Eu sem entender direito, retribui sorrindo.
Mas na verdade vulgar de teus olhos,
percebi que era melhor ter olhado de lado.
Fingido de morto.
Mas como matar por fora algo que sangra vivo por dentro?
Escrevendo poesias sem nexo.
Noite adentro.
Eu sem entender direito, retribui sorrindo.
Mas na verdade vulgar de teus olhos,
percebi que era melhor ter olhado de lado.
Fingido de morto.
Mas como matar por fora algo que sangra vivo por dentro?
Escrevendo poesias sem nexo.
Noite adentro.
Sim
Apenas
diga que sim.
Para viver intensamente,
tudo aquilo que sonhamos.
Ser diferente.
Ser o oposto.
Só para ver....
Aquele sorriso lindo no teu rosto.
Para viver intensamente,
tudo aquilo que sonhamos.
Ser diferente.
Ser o oposto.
Só para ver....
Aquele sorriso lindo no teu rosto.
Boa Noite
Só
desejo, onde estiver
Cá perto, lá longe
Um boa noite.
Que sonhe realidade
e realize sonhos.
Que ame sem precisar
e que precise amar.
Que viva presa
à sua liberdade.
Enfim, uma boa noite.
Cá perto, lá longe
Um boa noite.
Que sonhe realidade
e realize sonhos.
Que ame sem precisar
e que precise amar.
Que viva presa
à sua liberdade.
Enfim, uma boa noite.
B.
Te vi ali parada,
pensando.
E imaginando o teu
pensamento.
Tive um breve
momento,
De amor verdadeiro.
E nos teus olhos coloridos,
de cigana, de ressaca
de alegria, sofridos
eu vi a mais tenra
felicidade.... já tão mais perto, já tão mais próxima.
E imaginando o teu
pensamento.
Tive um breve
momento,
De amor verdadeiro.
E nos teus olhos coloridos,
de cigana, de ressaca
de alegria, sofridos
eu vi a mais tenra
felicidade.... já tão mais perto, já tão mais próxima.
Amigo
Infelizmente
tua tristeza o dominou.
Mas para você é felicidade.
Ser feliz não é ser menos ou humilhado.
É ser você, goste ela ou não.
É ter sua opinião, sem que ela afete a decisão.
Eu só espero que no seu reflexo enevoado,
você sinta alguma piedade.
Pois é só perdoando a alma,
que se vê como se maltrata o corpo.
Mas para você é felicidade.
Ser feliz não é ser menos ou humilhado.
É ser você, goste ela ou não.
É ter sua opinião, sem que ela afete a decisão.
Eu só espero que no seu reflexo enevoado,
você sinta alguma piedade.
Pois é só perdoando a alma,
que se vê como se maltrata o corpo.
Ele e Ela
Ele
bate a porta, sem entender o que acabou de acontecer ali. Ela
corre para cama, se cobrindo entre lágrimas e temendo ter entendido
exatamente o que se passou ali. Já no carro, ele
dispara mensagens aleatórias através do celular. Algumas ele até
escreve, mas não envia. Já em seus pensamentos, ela luta para
não pegar o celular e ligar para ele. Mesmo que seja só para ouvir
um vago "Alô". Ele passa sem entender o
porque da toda essa baboseira complexa e que não leva a nada. Tomando sua primeira dose. Ela já luta contra lembranças
embaralhadas que vem a esmo, crendo achar que encontrou a resposta
para tudo aquilo. Dizendo e pensando coisas sem sentido,
ele mistura memória e whisky sem gelo. Algo arriscado. Agora
ela tem certeza de o que porque de tudo aquilo. Ele
termina entre mulheres vazias e garrafas cheias, tentando apagar
cicatrizes que ele não assume ter. Ela termina procurando em
outros braços os abraços que só com ele teve.
Pensamentos
"Se
achas que o vento traz más noticias, aguardas a
tempestade. Pois só assim conseguirás sorrir na bonança."
"Grandes amores que não resistem ao tempo e a distância, não passam de boas mentiras travestidas de amor verdadeiro."
"Pensa, pensamento.
Ser pensante.
Gasta, pagamento.
Ser pedante.
Faça, momento.
Ser vivente.
Ama, por amar.
Ser eterno"
"Grandes amores que não resistem ao tempo e a distância, não passam de boas mentiras travestidas de amor verdadeiro."
"Pensa, pensamento.
Ser pensante.
Gasta, pagamento.
Ser pedante.
Faça, momento.
Ser vivente.
Ama, por amar.
Ser eterno"
Ela
Às
vezes minha vida se enche em poesia
Cantarolada
pela amada em sinfonia.
Como
mil cântigos reunidos em um só
Transformando
em unido o que era só.
E
só, sobretudo nada foi.
Perto
do inteiro em que se tornou.
E
o inteiro não passa de uma unidade
Tão
linda
Tão
perfeita
E
tão singela.
Que
só poderia logicamente
Representar-se
nela.
Cavaleiro
Ó
amada, ó belíssima.
Quantas solitárias noites passei a te passar em memória?
Tantas longas estradas caminhei a esperar tua imagem.
E mesmo assim, fulguras estar longe de mim.
Tão belamente próxima e tão tristemente distante .
Teu coração já não é meu.
Tua boca não me beija.
Mas me diga minha amada.
Em quem és que pensa quando está deitada?
Quando a vida insistes em ruir?
Quando a esperança não resolve aparecer?
Seria em minha breve imaginação:
Um cavaleiro reluzente, de armadura e espada empunhada.
Lutando por ti, tanto, que por ti, morreria.
Me responda, sem trepidar, minha amada
"Se alguma chance de ser teu cavaleiro, eu teria?"
Quantas solitárias noites passei a te passar em memória?
Tantas longas estradas caminhei a esperar tua imagem.
E mesmo assim, fulguras estar longe de mim.
Tão belamente próxima e tão tristemente distante .
Teu coração já não é meu.
Tua boca não me beija.
Mas me diga minha amada.
Em quem és que pensa quando está deitada?
Quando a vida insistes em ruir?
Quando a esperança não resolve aparecer?
Seria em minha breve imaginação:
Um cavaleiro reluzente, de armadura e espada empunhada.
Lutando por ti, tanto, que por ti, morreria.
Me responda, sem trepidar, minha amada
"Se alguma chance de ser teu cavaleiro, eu teria?"
Doce Contradição
Se
for para ter
Que tenha.
Se for para ser
Que seja.
Se nada for além de tudo
E tudo, contudo, nada for.
Deixe que seja assim
Terminando no começo
Começando no fim.
Consolando o consolidado
Desamando o enamorado
E contrariando o que foi jurado.
Que tenha.
Se for para ser
Que seja.
Se nada for além de tudo
E tudo, contudo, nada for.
Deixe que seja assim
Terminando no começo
Começando no fim.
Consolando o consolidado
Desamando o enamorado
E contrariando o que foi jurado.
Escrevendo
A única coisa que alivia o coração de um poeta desiludido, é escrever. Pois é em cada palavra (as vezes pensada e as vezes nada), que ele encontra o beijo da amada. Talvez ele ache que ela vai ler isso um dia. Talvez só de ter escrito já lhe dê esperanças. Talvez ela leia e sinta-se comovida. Talvez ela passe a vida toda sem ler. Mas o poeta não se abate, e em outra noite triste, volta a escrever.... E mesmo perante toda distancia, ele sabe que cada letra aqui em escrita, mesmo que não lida, irá para o coração. Pois é como se sussurrasse aos pés do ouvido de seu grande amor.
Complicando
Eu sou exclusivamente egoísta, um pouco pessimista em relação a mim e demasiadamente otimista em relação à expectativa alheia. Sou um tanto quanto tímido e na medida certa reprimido. Talvez complexamente simples, acho que isso me torna um ser pensante, mas, como todo bom ser que se gaba de ter inteligência, sou movido por sentimentos diversos que suprem minhas qualidades, defeitos e anseios. Devidamente normal eu diria? E existe isso? Normalidade? Anormalidade? Animalidade? Quantas mais palavras "dades" servem para explicar a humanidade? Acho que tantas quanto existirem. Mas você deve estar se perguntando por que é que lhe escrevo isto. Deve estar em uma cadeira, na frente de uma máquina devidamente abastecida de energia elétrica, vendo por através de uma tela palavras desconexas no sentido irracional e cibernético que se tornou nossa língua portuguesa. Sei, não sou um poeta romântico que descreve com tanta perfeição e ímpeto a moça amada. Mas tento aqui começar a explicar a mim mesmo para explicar o inexplicável que se tornou tão claro diante do meu olhar mortal. Tornou-se minha fonte de abastecimento, me tornei dependente. Dependo desse seu ego, dessa sua pessoa, dessa sua alma, deste seu beijo. Dependo de você para me completar da mais almejada palavra de sentido mais amplo: Felicidade. Longe de você acabo por ser algo vivo mas privado da alegria derradeira que só encontra meu coração quando repousa junto ao seu, no leito da cumplicidade de duas almas em uma aterrorizante, fria e obscura cidade.
Morena dos Olhos D'água
Venha
cá, senta aí
Vem
pra perto de mim
Minha
morena, você tem de desculpar
Aquele
quem só te fez chorar
Eu
andei meio distante
Entre
um copo e uma amante
A
saudade me calou
Mas
morena na verdade
A
saudade me curou
Morena
dos olhos d'água
Olhos
que vem do mar
Pares
de chorar
Porque
se não morena
Eles
hão de desaguar
Sei
que já te fiz chorar
Sei
que já fui de bar em bar
Mas
era só pra te encontrar
De
tão bêbado, cai
Foi
ai que percebi
Que
o chão só é tão bom
Quando
estas junto de mim
Morena
dos olhos d'água
Olhos
que vem do mar
Pares
de chorar
Porque
se não morena
Eles
hão de desaguar
Te
entrego a chave do meu ser
Abro
até a porta dos fundos
Para
você badernar
Me
beber e se embriagar
Deita
em mim 'preu te ninar
Morena
dos olhos d'água
Olhos
que vem do mar
Pares
de chorar
Porque
se não morena
Eles
hão de desaguar
Venha
cá, senta aí
Vem
pra perto de mim...
Me Nina
A
noite que chega, óh menina
Escurece
o céu clareado
Clareando
o que há de errado
No
meu ser desalmado
Te
arruma pra festa, óh menina
Te
pinta, te banha, me escuta
Me
acompanha, me nina
Na
festa, te cala, me beija a boca
Te
vejo dançando, óh menina
Bebendo,
cantando, soluça
Me
perco girando, me nina
Nas
voltas do rabo de saia
O
vento lá fora assusta
Eu
corro perdido na chuva
Gritando
pra ti, me nina
Gritando
pra ti, me escuta
A
festa acabou, óh menina
Mas
o poeta continua na luta
Compondo
besteiras astutas
O
samba é pra ti, óh menina
Sambando
errado na curva
Nas
curvas do corpo, me nina
Te
vejo nas nuvens sumida
Sumindo
de vista, menina
Tristeza
entristece serena
Eu
clamo por ti, óh menina
Menina
me nina na chuva
Teresinha
Uma
suave música tocava ao fundo. Algo como "À Flor de Pele"
cantava por Chico e Milton em um tom leve e pesadamente crítico,
como só Chico consegue fazer. Nesse clima nostálgico jazia um o
corpo de um homem. Sobre a cama bagunçada, sem sinal de violência
ou qualquer briga que poderia ter resultado na morte. O defunto tinha
uma aparência bruta: barba mal feita, hálito forte de bebida,
cabelos negros e olhos vermelhos. Ao seu lado no criado mudo, um copo
de aguardente difícil de se tragar. A mulher apressada joga o
conteúdo do copo na pia, passa uma água ligeira e incumbe de
livrar-se do defunto. Arrasta o corpo por toda a sala e chega ao
quintal. Onde um buraco frio já aguardava um corpo também gelado.
Nesse momento ela lembra-se de seu primeiro marido. Que jazia na
mesma terra onde agora enterrava seu segundo marido. Então o Dvd do
Chico Buarque muda de música, tocava agora "Com Açúcar, Com
Afeto" onde Chico, acompanhado de Nara Leão, cantava sereno.
Mas isso não a tirou da lembrança morna de seu primeiro marido. Das
viagens e das qualidades que ele tinha, do bicho de pelúcia e do
broche de ametista, adorava ser chamada de rainha. Como fora difícil
ter que matá-lo, um golpe certeiro com a faca da cozinha. Ficara um
tempo triste mas fizera aquilo por um novo amor que brotava em seu
jovem coração e nisso o Dvd trocou a música para "Feijoada
Completa". Não pensou duas vezes em sentir um extremo ódio
pelo seu segundo marido, que agora já tinha terra por todo o rosto.
Ele costumava embriagar-se, duvidar dela, cheirava sua comida e à
chamava de perdida. O remorso que tinha por ter se livrado do
primeiro não existia quando colocou o veneno na bebida do segundo,
que embriagou-se pela última vez. Terminado o trabalho de
enterrá-lo, foi tomar um banho pois estava ansiosa e cheirava mal.
Mas no chuveiro não pensava nem no primeiro, muito menos no segundo
e sim no terceiro, o qual, ela não sabia nada. Ao sair do banheiro
lá estava ele, em sua cama, chegará do nada e agora a chamava de
mulher. Nesse momento, meio que por ironia, meio que por acaso
começou a tocar ao fundo "Teresinha".
Sig Ne Ficado
Queria
ter aquele céu, cor azul
Para pintar um retrato dos teus olhos
Que no reflexo das estrelas traduza a beleza
Do sentimento contrário ao da tristeza
Aquele misto de alegria e ardor
O paradoxo do universo errado
Uma palavra singela, ao teu lado
Algo como há
Algo como meu
Como teu, como nosso
Algo conhecidamente estranho
Ao teu olho humano
Algo de extraordinário
Está certamente errado
Aquele amor apaixonado
Que de tanto amar a mesma pessoa
Finge que não existe nenhuma outra
Pelo simples fato complexo
De que não precisa haver nexo
Pois, como vermelho céu azul, não tem cor
Não tem significado a palavra amor.
Para pintar um retrato dos teus olhos
Que no reflexo das estrelas traduza a beleza
Do sentimento contrário ao da tristeza
Aquele misto de alegria e ardor
O paradoxo do universo errado
Uma palavra singela, ao teu lado
Algo como há
Algo como meu
Como teu, como nosso
Algo conhecidamente estranho
Ao teu olho humano
Algo de extraordinário
Está certamente errado
Aquele amor apaixonado
Que de tanto amar a mesma pessoa
Finge que não existe nenhuma outra
Pelo simples fato complexo
De que não precisa haver nexo
Pois, como vermelho céu azul, não tem cor
Não tem significado a palavra amor.
[Só]mente
Hoje
não quero te ver
Não quero sentir
Todo aquele prazer
Não quero sentir
Todo aquele prazer
Hoje
não quero sorrir
Não quero mentir
Que quero te ver
Não quero mentir
Que quero te ver
Hoje
não faço questão
Da tua presença
Da tua tão fraca opinião
Da tua presença
Da tua tão fraca opinião
Hoje
não faço alarde
Não quero amizade
Nem o teu perdão
Não quero amizade
Nem o teu perdão
Hoje
só sozinho quero estar
No quarto, na cama
No teto, na mesa de bar
No quarto, na cama
No teto, na mesa de bar
Hoje
só hoje
Tão somente e sozinho
Não quero amor
Não quero beijo ou carinho
Quero veementemente
Estar tão somente
Só,somente sozinho
Tão somente e sozinho
Não quero amor
Não quero beijo ou carinho
Quero veementemente
Estar tão somente
Só,somente sozinho
Seja
Seja
paciente
Seja tolerante
Seja algo assim, fascinante
Seja tolerante
Seja algo assim, fascinante
Seja
como for
Seja por amor
Seja por amor
Seja
mais pensante
Seja equidistante
Seja algo assim, dominante
Seja equidistante
Seja algo assim, dominante
Seja
sem saber
Seja até morrer
Seja algo assim, triunfante
Seja até morrer
Seja algo assim, triunfante
Seja
o que for
Seja por horor
Seja por horor
Seja
por amar
Seja todo mar
Seja sem pensar
Seja todo mar
Seja sem pensar
Não
importa o que seja
Tenha sempre modos à mesa
Seja sempre uma bela mulher
Que emane poesia
Seja sempre ou todo dia
Seja sem saber
Só não deixe de ser, você.
Tenha sempre modos à mesa
Seja sempre uma bela mulher
Que emane poesia
Seja sempre ou todo dia
Seja sem saber
Só não deixe de ser, você.
Poeta
Sou
poeta sonhador
Ser poeta é meu ofício
Sou poeta fingidor
A palavra é o meu vício
Ser poeta é meu ofício
Sou poeta fingidor
A palavra é o meu vício
Sou
poeta sem querer
Sou poeta trabalhador
Sou poeta sem saber
Que nem poeta sou
Sou poeta trabalhador
Sou poeta sem saber
Que nem poeta sou
Sou
poeta aviador
Decolando na passarela
Sou poeta multicor
De beleza aquarela
Decolando na passarela
Sou poeta multicor
De beleza aquarela
Pincelando
com o lápis
Escrevendo com o pincel
Vou descrevendo a beleza
Que existe lá no céu
Escrevendo com o pincel
Vou descrevendo a beleza
Que existe lá no céu
Como
em uma bela melodia
Que as notas vem e vão
As palavras de alegria
Muitas vezes são em vão
Que as notas vem e vão
As palavras de alegria
Muitas vezes são em vão
As
palavras então se acabam
O poeta cai na escuridão
De uma poesia acabada
Terminou-se a ilusão.
O poeta cai na escuridão
De uma poesia acabada
Terminou-se a ilusão.
Beber Sozinho
Quem
dera eu
Tivesse mil flores
Quem dera eu
Amasse mil amores
Tivesse mil flores
Quem dera eu
Amasse mil amores
Quem
dera eu
Não tivesse nenhum passado
Quem dera eu
Não fosse amado
Não tivesse nenhum passado
Quem dera eu
Não fosse amado
Pudera
eu perder
Mil flores
Pudera eu desamar
Mil amores
Pudera eu
Ter o pior passado
Pudera eu
Ser amado
Mil flores
Pudera eu desamar
Mil amores
Pudera eu
Ter o pior passado
Pudera eu
Ser amado
Antes
disso,
Muito antes de tudo isso,
Flores, amores,
Passado, amado
Daria tudo, tudo isso
Para não beber sozinho
Ser um bêbado sem carinho
Muito antes de tudo isso,
Flores, amores,
Passado, amado
Daria tudo, tudo isso
Para não beber sozinho
Ser um bêbado sem carinho
Com
um copo a acompanhar
Eu deixaria de amar
Eu chamaria o vizinho
Para nunca mais beber sozinho
Eu deixaria de amar
Eu chamaria o vizinho
Para nunca mais beber sozinho
Aquele
copo vazio
Representa o meu eu, sozinho
Daria meu amores, daria minhas flores
Daria o meu pesar, daria o meu amar
Para nunca mais beber sozinho
Representa o meu eu, sozinho
Daria meu amores, daria minhas flores
Daria o meu pesar, daria o meu amar
Para nunca mais beber sozinho
Fato
Faço
as coisas de fato
De
fato as coisas fiz
Paro
o tempo num retrato
Canto
Chico e peço bis
Faço
as coisas do meu jeito
Um
jeito sem jeito algum
Faço
as coisas sem marasmo
Com
problema ou sem nenhum
Penso
muito e falou pouco
Se
falo logo desisto
Mas
já dizia um grande sábio
Penso
muito, logo existo.
Estória
Essa
é a história de um poeta fingidor, que fingia tanta história, que
a história o pegou. Uma tragédia tão histórica, que a história
abafou. E essa história tão notória, foi assim que começou:
Era
uma vez um poeta que não sabia poetizar. Buscava criatividade em
tudo, mas tudo parecia lhe faltar. Não falava, não comia, tudo o
que fazia era pensar. E olhava pro horizonte, esperando uma visão,
que enxergasse lá de longe como num enorme clarão, uma imagem tão
divina que tocasse o coração.
Em suas poesias, a dor melhor
descreveria, o tanto que sofria. Mas como todo poeta, ele era um
fingidor, fingia tanto, fingia torto, que nem sabia que fingia escrever o que você
tanto lia.
Aqueles Términos de Mulher
Você
não entende
Mas
como é que a gente compreende
Alguém
que tanto ama
Ao
mesmo tempo desama a gente?
Você
foi insensível
Mas
como pode ser compreensível
Ser
algo ao mesmo tempo
Possível
e impossível?
Será
que estou errado?
Será
que estou certo?
Será
algo passado?
Será
algo incorreto?
Te
digo caro amigo
Pares
de sofrer
Porque
há de ser
Mais
um dos tantos términos de mulher
Não
tente entender
Pois
coração de mulher
É
certo como equações matemáticas
Pode
ser positivo ou negativo
Mas
tem sempre uma incógnita
Torça
apenas amigo,
Para
ser aquele "x" escondido
Será
que está?
Será
que não?
Será
que foi?
Será
que vão?
Te
digo caro amigo,
Pares
de sofrer
Porque
há de ser
Mais
um dos tantos términos de mulher
Coração
bandido
Incerto,
incorruptível
Coração
partido
Triste,
desiludido
Coração
de pedra
Inca,
asteca
Coração
alegre
Coração
triste
Coração
de mulher
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